domingo, 20 de março de 2011

QUAL A IMPORTÃNCIA DO ESPIRITO SANTO EM NOSSA VIDA

Um Cristão Precisa do Batismo do Espírito Santo
Para Obter uma Vida Mais Cheia da Plenitude do Espírito Santo?
A QUESTÃO:

Um dos ensinos fundamentais da Teologia Pentecostal/Carismática é que o crente regenerado precisa de uma segunda obra da graça, a qual é comumente chamada de o batismo do Espírito Santo. Geralmente, esta experiência é supostamente evidenciada pelo falar em línguas. Para uma prova bíblica, esta visão aponta para os vários derramamentos do Espírito Santo como registrado no livro de Atos (2,8,11,9) e insiste que estas experiências devem ser normativas para a vida cristã. Isto levanta questões altamente significantes, tais como, o que é a obra batizadora do Espírito Santo, e, um cristão deve receber uma necessária segunda obra da graça, para viver na plenitude do Espírito Santo, como somos ordenados a viver (Efésios 5:18)? Este estudo tratará destas questões e sugerirá algumas respostas bíblicas.


O REGISTRO BÍBLICO

A expressão atual, “batizado com o Espírito Santo”, ocorre somente 7 vezes no Novo Testamento, embora haja outros versos que estão relacionados ao conceito. Para ser acurado (como alguém sempre dever ser ao interpretar a Bíblia), a expressão comum “Batismo DO Espírito Santo” nunca é usada na Bíblia. Ela fala do “batismo DE João” (Mateus 21:25, Marcos 11:30; Lucas 7:29; 20:4, Atos 1:22; 18:25) e descreve-o como “o batismo de arrependimento” (Marcos 1:4, Lucas 3:3; Atos 13:24; 19:4). Pelo contrário, a cláusula em discussão sempre usa o verbo “batizar” seguido pela frase preposicional “com o Espírito Santo”

A PREDIÇÃO DE JOÃO NO BATISMO DE JESUS:

Mateus 3:11 - Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.
Marcos 1:8 - Ele vos batizará com o Espírito Santo.
Lucas 3:16 - João respondeu, dizendo a todos: Eu, na verdade, vos batizo com água, mas vem aquele que é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de desatar a correia das alparcas; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.
João 1:33 - “Eu não o conhecia; mas o que me enviou a batizar com água, esse me disse: Aquele sobre quem vires descer o Espírito, e sobre ele permanecer, esse é o que batiza com o Espírito Santo”.

Observações:

João profetiza um evento futuro, apontando um tempo quando o Messias batizaria (tempo futuro) com o Espírito Santo.
Ele contrasta seu próprio batismo de água com o batismo com o Espírito do Messias, sendo esse o grande cumprimento e realidade espiritual do sinal externo.

A CLÁUSULA USADA EM CONEXÃO COM O DIA DE PENTECOSTE
Atos 1:5 - “Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias”.


Observações:

O Senhor Jesus fez esta profecia precisamente antes de Sua ascensão aos céus.
Ele se refere ao evento que estava para acontecer, e o contexto obviamente encontra cumprimento no Dia de Pentecoste, quando Ele derramou o Seu Espírito Santo sobre os discípulos no Cenáculo (Atos 2). Isto se torna uma evidência primária de que Jesus verdadeiramente é o Messias (Atos 2:33).


REFERÊNCIA DE PEDRO AO DIA DE PENTECOSTE
Atos 11:16 - “ Lembrei-me então da palavra do Senhor, como disse: João, na verdade, batizou com água; mas vós sereis batizados com o Espírito Santo”.


Observações:

Este derramamento do Espírito Santo é relacionado ao Pentecoste (Atos 2) como um cumprimento contínuo do ministério do Senhor que ascendeu em batizar o Seu povo com o Espírito Santo. Isto mostra que o batismo com o Espírito é mais do que aquilo que aconteceu em Pentecoste, mas, contudo, ele liga todo crente ao grande evento na história da redenção.
A expressão está intimamente ligada com o batismo com água; de fato, ela é quase sempre usada no contexto de batismo de água (isto é, o batismo de Jesus bem como o batismo de Cornélio nesta passagem). Uma pessoa deve deduzir que o batismo de água é evidentemente uma evidência do batismo com o Espírito. Claramente, dos dois, o batismo com o Espírito é a realidade e a obra eficaz pela qual o Espírito Santo vem para habitar no crente.


A CLÁUSULA USADA EM 1 CORÍNTIOS 12:13 COM UMA DECLARAÇÃO DOUTRINAL DO FATO EXPERIMENTAL:
O verso mais importante para explicar o ser batizado com o Espírito Santo deve, certamente, ser 1 Coríntios 12:13, visto que ele é o único verso do Novo Testamento que realmente explica o conceito: “Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito”.

Observações:

Paulo descreve claramente uma experiência universal verdadeira de todos os cristãos: “fomos todos nós batizados em um só corpo...e a todos nós foi dado beber de um só Espírito”. Isto é comum para alguém que está no corpo de Cristo.
Esta experiência obviamente não divide cristãos entre aqueles que têm o batismo com o Espírito Santo e aqueles que não o têm, mas antes, ela unifica o corpo inteiro de Cristo num mesmo status espiritual como todos aqueles que compartilham do batismo com o Espírito Santo em comum.
Paulo fala de uma experiência passada produzida pelo Espírito Santo: ele não escreve, “Vocês precisam ser batizados com o Espírito Santo”, mas antes, ele declara, “Vocês foram batizados” (o grego aoristo passivo indica uma experiência num tempo passado). Note esta mudança para o tempo futuro usado nos Evangelhos e em Atos, pois o cumprimento aconteceu no Dia de Pentecoste e foi repetido na regeneração de indivíduos.

OUTROS DIVERSOS VERSOS QUE MENCIONAM O ASPECTO ESPIRITUAL DO BATISMO:

Romanos 6:3 - Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?
Romanos 6:4 - Fomos, pois, sepultados com Ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.
Gálatas 3:27 - Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo.
Colossenses 2:11,12 - No qual [Cristo] também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo; tendo sido sepultados com Ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados com Ele pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos;

Observações: Embora estes versos sejam freqüentemente citados para explicar o batismo de água, sua referência primária é ao batismo experimental em Cristo. Embora a obra do Espírito Santo não seja mencionada especificamente como o agente eficaz do batismo, é razoável assumir que este seja o caso, visto que é o Espírito Santo quem nos une ao Senhor Ressurrecto na obra da regeneração. Em todo caso, Paulo descreve não uma segunda experiência, mas a obra inicial pela qual somos batizados em Cristo. Esta experiência se torna a raiz de todas as mudanças reais efetuadas pelo Espírito Santo, capacitando os crentes a andaram em novidade de vida.

REFERÊNCIAS ADICIONAIS AO BATISMO:
Hebreus 6:2 chama a “doutrina de batismos” um dos princípios elementares de Cristo, mas não especifica quais batismos são estes. Ele espera que o leitor já saiba.

Este estudo tem mostrado que há diversos batismos mencionados no Novo Testamento. Além do batismo de arrependimento de João, do batismo com água, do batismo com o Espírito, do batismo em Cristo (Romanos 6:3) e do batismo em Sua morte (Romanos 6:4), o Novo Testamento também menciona o batismo pelos mortos (seja lá o que for! 1 Coríntios 15:29), e o ser batizado em Moisés (1 Coríntios 10:2).

Todavia, a fórmula credal em Efésios 4:5 menciona somente “um batismo”. A qual destes batismos ela se refere? Qual destes vários batismos é essencial para a salvação?

É o batismo de água, como os que crêem no batismo regeracional insistem? Se sim, por que Paulo subestima a cerimônia do batismo quando ele diz em 1 Coríntios 1:17, “Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho; não em sabedoria de palavras, para não se tornar vã a cruz de Cristo”. Embora Pedro nos diga que “o batismo nos salva”, ele adiciona que ele não é a mera remoção da imundícia da carne, mas “a resposta de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo” (1 Pedro 3:21).

É o “um batismo” a segunda obra da graça, ou seja, o batismo do Espírito Santo, como os Pentecostais insistem? Se ele é a cura total para o pecado e a chave para a plenitude do Espírito, porque tal doutrina crucial é discutida somente uma vez nas epístolas (1 Coríntios 12:13)? Por que o Novo Testamento não promove o batismo do Espírito como a resposta para todo problema encontrado na igreja primitiva? O silêncio é atordoador!

Claramente, o “um batismo” que nos une a Cristo é ser batizado com o Espírito Santo, pelo qual um pecador morto é feito vivo quando seu espírito é unido com a Vida do Senhor Ressurrecto, pela regeneração e renovação do Espírito Santo (Tito 3:5). Este é o verdadeiro batismo com o Espírito que é absolutamente essencial para a salvação: ele é a resposta à obrigação imposta por Jesus, “Vocês devem nascer de novo” - concebida espiritualmente pelo Espírito (João 3:3,5,7). Embora o Espírito se mova soberanamente como o vento (João 3:8) e não possa ser manipulado pelo homem pecador, Jesus nos encoraja, em Lucas 11:13, “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o vosso Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”.

IMPLICAÇÕES DA DOUTRINA DA SEGUNDA OBRA:

Se é um segundo batismo do Espírito Santo que traz a verdadeira plenitude, isto não implica que a regeneração sofre de uma inadequação que precisa ser suplementada por uma segunda obra da graça? Como pode isto ser, quando na regeneração o cristão recebe a Pessoa do Espírito Santo (1 Coríntios 2:12), é batizada em Cristo (Romanos 6:3-4) , é feita completa nEle (Colossenses 2:10) e lhe é dado tudo o que diz respeito à vida e à piedade (2 Pedro 1:3-4)? A necessidade, pelo que parece, não é receber algo mais que a pessoa não possua, mas reivindicar o que já lhe foi dado!

Além disso, se o batismo de água é uma figura visual do derramamento do Espírito Santo (uma óbvia conexão freqüentemente não vista por muitos), então a necessidade de uma segunda ora da graça denigre o batismo de água como o sinal do batismo do Espírito. Um cristão que entende que o batismo de água celebra a obra transformadora de regeneração pelo Espírito Santo, não verá qualquer necessidade de uma segunda obra da graça após a regeneração, visto que a vinda do Espírito Santo nos une com o Senhor Ressurecto e nos faz completos nEle, de forma que não temos falta de nenhum dom (1 Coríntios 1:7).

CONCLUSÕES:

A questão principal é se o batismo do Espírito Santo é uma segunda obra da graça necessária para o viver cristão bem sucedido, se ele é acompanhado pelo dom de línguas ou pela santificação completa (como a teologia Wesleyana ensina), e se ele é a chave para uma vida espiritual profunda (como implicado pelo Movimento da Vida Superior).

Certamente o Novo Testamento ensina que é essencial para alguém o ser batizado com o Espírito Santo, mas a Bíblia mostra que a obra do Ungido em batizar com o Espírito Santo é, de fato, uma obra inicial da graça, não uma segunda obra da graça. Todo regenerado pelo Espírito Santo foi batizado pelo Espírito Santo como uma experiência de fato, segundo 1 Coríntios 12:13.

Além disso, uma leitura do Novo Testamento não revelará que ele ensina uma segunda obra da graça após a regeneração, muito menos uma evidenciada pelo falar em línguas, visto que 1 Coríntios 12:13 declara claramente que nem todos falam em línguas. Pelo contrário, ele revela a necessidade de santificação progressiva pelo enchimento e pelo guiar do Espírito Santo.

Mas, o que dizer do mandamento de Jesus para “esperar pela promessa do Pai” (Atos 1:4)? Fazer com que isto seja normativo hoje é confundir o que é único na experiência da igreja primitiva e o que é regular para a igreja em existência. Fazer vistas grossas para esta distinção cria um perigo muito real de interpretar a Escritura à luz de uma experiência, e não a experiência à luz da Escritura. Qualquer experiência espiritual que não concorde com a Bíblia é emocionalmente induzida ou, ainda pior, produzida pelo demônio. Seja qual for, ela prova ser uma experiência falsa que leva alguém para longe de Cristo, e não para perto dEle.

A solução, então, não é encontrada na busca de uma segunda obra da graça necessária após a regeneração, mas antes no uso de todos os dons e graças concedidos na regeneração. Em Cristo, o cristão é completo, tudo que diz respeito à vida e à piedade é lhe dado: o que ele necessita é conhecer mais dEle através do guiar e do enchimento diário do Espírito Santo, de forma que possamos andar no fruto do Espírito Santo (Gálatas 5:22-23). Este é verdadeiramente o caminho para a vitória e a plenitude!


Stephen O. Stout é Pastor da Igreja Presbiteriana Prosperidade em Charlotte, Carolina do Norte